Neoplasia Intraepitelial Cervical – NIC

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Dra Giulia Cerutti

Médica ginecologista

O que é NIC?

NIC é a sigla para Neoplasia Intraepitelial Cervical, uma lesão precursora do câncer do colo do útero causada pela infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

Nem toda mulher infectada pelo HPV desenvolve uma NIC. Na maioria dos casos, o organismo elimina o vírus espontaneamente. No entanto, quando a infecção persiste, podem surgir alterações nas células do colo do útero, classificadas como lesões de baixo ou de alto grau, de acordo com a sua gravidade.

Embora a NIC não seja um câncer, algumas lesões, especialmente as de alto grau, podem evoluir para câncer do colo do útero se não forem diagnosticadas e tratadas adequadamente. Por isso, o acompanhamento com um ginecologista é fundamental para definir a melhor forma de tratamento e prevenir a progressão da doença.

Qual médico trata a NIC?

A NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical) deve ser acompanhada por um ginecologista com experiência no diagnóstico e tratamento das lesões causadas pelo HPV. Os especialistas mais indicados são os ginecologistas com atuação em Patologia do Trato Genital Inferior (PTGI) ou em Oncologia Ginecológica.

A Dra. Giulia Cerutti é médica ginecologista com especialização em Oncologia Ginecológica e atua no diagnóstico, acompanhamento e tratamento das lesões precursoras do câncer do colo do útero. Sua atuação inclui a realização de exames como colposcopia e biópsias, além de tratamentos clínicos e cirúrgicos indicados para cada caso.

Os atendimentos são realizados em consultório particular no bairro da Consolação, em São Paulo (SP).

Veja alguns depoimentos de pacientes da Dra. Giulia:

geral 4

O que é o Papilomavírus Humano (HPV)?

O Papilomavírus Humano (HPV) é um vírus transmitido principalmente por contato sexual que infecta a pele e as mucosas da região genital, anal e da boca e garganta. Estima-se que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas entrarão em contato com o vírus em algum momento da vida.

Existem mais de 200 tipos de HPV, que podem ser divididos em dois grandes grupos:

  • HPVs de baixo risco: estão associados principalmente ao surgimento de verrugas genitais, também chamadas de condilomas acuminados, e praticamente não apresentam potencial para causar câncer.
  • HPVs de alto risco: podem provocar alterações nas células do colo do útero, da vagina, da vulva, do ânus e da orofaringe. Essas alterações são chamadas de lesões precursoras e, quando não diagnosticadas e tratadas, podem evoluir para câncer.

Após a infecção, o HPV pode seguir diferentes caminhos. Na maioria das pessoas, o sistema imunológico elimina o vírus espontaneamente. Em outras, o HPV permanece em estado de latência, sem causar qualquer alteração. Apenas uma pequena parcela das pessoas desenvolve lesões relacionadas ao vírus.

Por isso, um resultado positivo para HPV não significa que a pessoa desenvolverá câncer. Na maioria dos casos, a infecção desaparece espontaneamente ou permanece sem causar qualquer doença.

Como é o colo do útero?

O colo do útero é revestido por uma fina camada de células chamada epitélio. Esse revestimento fica separado das camadas mais profundas do colo por uma estrutura chamada membrana basal, que exerce um papel importante no desenvolvimento das lesões e do câncer do colo do útero.

Existem três tipos principais de células no epitélio do colo do útero:

  • Células escamosas: revestem a parte externa do colo do útero.
  • Células glandulares: revestem o canal interno do colo do útero.
  • Células metaplásicas: são células de transição localizadas entre essas duas regiões e representam a área onde a maioria das lesões causadas pelo HPV se desenvolve.

Como a NIC surge?

A NIC (Neoplasia Intraepitelial Cervical) surge quando o HPV infecta as células escamosas do colo do útero e passa a interferir no seu funcionamento. Como consequência, essas células começam a se multiplicar de forma desorganizada, dando origem à lesão.

Essa alteração permanece inicialmente restrita ao epitélio, a camada mais superficial do colo do útero. Enquanto a lesão não ultrapassa a membrana basal, ela recebe o nome de Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) e ainda não é considerada um câncer.

Quando essas células atravessam a membrana basal e invadem os tecidos mais profundos do colo do útero, ocorre a transformação para câncer invasor.

Em outras palavras, a NIC é uma lesão precursora do câncer do colo do útero. Por isso, seu diagnóstico e tratamento são fundamentais para impedir a progressão da doença..

nic
NIC é uma proliferação anormal de células restrita ao epitélio, a camada de revestimento mais superficial do colo do útero.

Quais são os graus da NIC?

A Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é classificada de acordo com a gravidade das alterações causadas pelo HPV nas células do colo do útero.

  • NIC 1: corresponde à lesão de baixo grau. Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina a infecção pelo HPV e a lesão regride espontaneamente. Por isso, geralmente o tratamento não é necessário, sendo indicado apenas o acompanhamento.
  • NIC 2 e 3: correspondem às lesões de alto grau. Essas alterações apresentam maior risco de evoluir para câncer do colo do útero quando não são tratadas. Por esse motivo, costumam exigir tratamento para remover a lesão e prevenir sua progressão.

É importante lembrar que nem toda mulher infectada pelo HPV desenvolve uma NIC. Na maioria das pessoas, o vírus é eliminado espontaneamente pelo organismo antes de causar qualquer alteração nas células do colo do útero.

nic
Epitélio escamoso do colo do útero. Evolução da NIC até o câncer.

Toda NIC vira câncer?

Não. A grande maioria das lesões não evolui para câncer.

As lesões de baixo grau (NIC 1) costumam regredir espontaneamente, pois, na maioria dos casos, o sistema imunológico elimina a infecção pelo HPV sem necessidade de tratamento.

Já as lesões de alto grau (NIC 2 e 3) apresentam maior risco de progressão e, por isso, geralmente devem ser tratadas. No entanto, mesmo essas lesões não evoluem inevitavelmente para câncer.

Outro ponto importante é que essa progressão costuma ser lenta, ocorrendo ao longo de vários anos. Isso permite que a maioria das lesões seja identificada durante os exames de rastreamento, como o Papanicolau e a colposcopia, e tratada antes que se transforme em câncer.

Alguns fatores aumentam o risco de progressão para câncer, entre eles:

  • Tabagismo;
  • Imunodeficiência (como em pessoas vivendo com HIV não controlado ou em uso de medicamentos imunossupressores);
  • Persistência da infecção por HPV de alto risco.

Por isso, o acompanhamento regular com o ginecologista é fundamental para identificar precocemente qualquer alteração e indicar o tratamento mais adequado.

tabagismo
O tabagismo aumenta o risco de uma NIC evoluir para câncer de colo de útero.

Como é feito o diagnóstico da NIC?

O diagnóstico da Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é realizado por etapas. Cada exame tem uma função específica e complementa o anterior.

Os principais exames utilizados são:

  • Papanicolau (citologia oncótica);
  • Colposcopia;
  • Biópsia do colo do útero;
  • Teste para HPV (PCR).

Testes para HPV

O teste de biologia molecular (DNA-HPV) detecta a presença do DNA do HPV no colo do útero.

Quando o teste de DNA-HPV identifica os subtipos 16 ou 18, que apresentam o maior potencial de causar câncer do colo do útero, geralmente está indicada a realização da colposcopia, mesmo que o Papanicolau esteja normal.

Já quando o exame detecta outros tipos de HPV de alto risco, a conduta costuma ser diferente. Nesses casos, o Papanicolau é utilizado para verificar se o vírus já provocou alterações nas células do colo do útero. Se a citologia apresentar alterações, a paciente é encaminhada para a colposcopia.

Essa estratégia permite identificar precocemente as mulheres com maior risco de desenvolver lesões precursoras do câncer do colo do útero, evitando exames desnecessários para aquelas com baixo risco.

É importante destacar que esses exames não diagnosticam a NIC. Eles apenas identificam a presença do vírus, indicando que a mulher pode estar em maior risco de desenvolver lesões relacionadas ao HPV. O diagnóstico da NIC depende da avaliação histopatológica da biópsia.

Papanicolau

Durante o exame, o ginecologista coleta células do colo do útero com uma espátula e uma escovinha. Essas células são analisadas ao microscópio em busca de alterações sugestivas de lesões causadas pelo HPV.

Quando o resultado do Papanicolau apresenta alterações, geralmente é indicada a realização da colposcopia.

inflamação no papanicolau

Colposcopia e biópsia

A colposcopia permite examinar o colo do útero com grande aumento, utilizando um aparelho chamado colposcópio. Durante o exame, são aplicados reagentes, como ácido acético e iodo, que ajudam a identificar áreas suspeitas de lesão.

Se alguma área suspeita de lesão for encontrada, o médico realiza uma biópsia da região. A biópsia é a retirada de um pequeno fragmento do colo do útero, enviada para análise em laboratório. É a análise dessa amostra pelo patologista que confirma o diagnóstico de NIC e determina o grau da lesão.

A biópsia é um procedimento que pode causar um leve desconforto ou cólica.

A colposcopia também não dá o diagnóstico de NIC. Ela apenas levanta a suspeita.

colposcopia
A colposcopia com biópsia de colo de útero é um exame fundamental para o diagnóstico da NIC.

Como é feito o tratamento da NIC?

O tratamento da Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) é individualizado e depende de diversos fatores. O mais importante é o grau da lesão (NIC 1, 2 ou 3), mas o médico também considera a idade da paciente, o desejo de engravidar, a presença de doenças que comprometem a imunidade, a extensão da lesão e a possibilidade de acompanhamento periódico.

Esses fatores ajudam a definir se a melhor conduta é apenas o acompanhamento, como costuma acontecer em muitos casos de NIC 1, ou se será necessário realizar um tratamento para remover a lesão, como ocorre com maior frequência nas NICs 2 e 3.

O objetivo do tratamento é eliminar a lesão precursora antes que ela possa evoluir para câncer do colo do útero.

Conduta expectante

A conduta expectante consiste em acompanhar a lesão sem realizar tratamento imediato. Durante esse período, a paciente é acompanhada com exames periódicos para avaliar se a lesão regrediu, permaneceu estável ou evoluiu.

Essa estratégia é indicada principalmente quando a probabilidade de regressão espontânea é alta e o risco de progressão para câncer é baixo.

Em geral, a conduta expectante pode ser considerada nos seguintes casos:

  • NIC 1 (lesão de baixo grau);
  • Lesão completamente visível à colposcopia;
  • Possibilidade de acompanhamento periódico;
  • Algumas mulheres com menos de 25 anos e NIC 2, desde que atendam aos critérios clínicos e possam realizar seguimento rigoroso.

Por outro lado, o tratamento costuma ser preferido quando há maior risco de progressão, como nos seguintes casos:

  • NIC 3;
  • Mulheres de 25 anos ou mais diagnosticadas com NIC 2;
  • Lesão que se estende para o canal cervical e não pode ser completamente avaliada;
  • Dificuldade de comparecer às consultas de acompanhamento;
  • Imunossupressão (como pessoas vivendo com HIV, transplantadas ou em uso de medicamentos imunossupressores);
  • Persistência da NIC 1 por dois anos ou mais.

Como é feito o tratamento da NIC de alto grau?

Na maioria dos casos, as lesões de alto grau (NIC 2 e 3) devem ser tratadas para evitar a progressão para câncer do colo do útero. A principal exceção são algumas mulheres com menos de 25 anos diagnosticadas com NIC 2, que podem ser acompanhadas sem tratamento imediato quando atendem aos critérios clínicos e conseguem realizar seguimento rigoroso.

O tratamento mais utilizado é a conização do colo do útero, uma cirurgia que remove a área do colo onde está localizada a lesão. O fragmento retirado tem formato de cone e é enviado para análise anatomopatológica.

A conização pode ser realizada por diferentes técnicas, sendo as principais:

  • Cirurgia de Alta Frequência (CAF): técnica mais utilizada atualmente. Uma alça metálica aquecida por corrente elétrica remove a lesão e promove a cauterização ao mesmo tempo.
  • Bisturi frio: utilizado em situações específicas, principalmente quando é necessária uma avaliação histológica mais detalhada ou há suspeita de doença glandular.
  • Bisturi elétrico: pode ser empregado em alguns casos, conforme a indicação do cirurgião.

A escolha da técnica depende das características da lesão, da idade da paciente, do desejo reprodutivo e da avaliação do ginecologista.

conizacao
A conização por CAF é uma opção de tratamento das lesões de alto grau do colo do útero.

Qual é a diferença entre conização e CAF?

Essa é uma dúvida muito comum.

Conização é o procedimento cirúrgico que consiste na retirada de um fragmento do colo do útero em formato de cone. Esse é o tratamento mais utilizado para muitas mulheres com lesões de alto grau (NIC 2 e 3).

Já a CAF (Cirurgia de Alta Frequência) é uma das técnicas utilizadas para realizar a conização. Nessa técnica, uma alça metálica aquecida por corrente elétrica remove a lesão e cauteriza o tecido ao mesmo tempo.

Além da CAF, a conização também pode ser realizada por outras técnicas, como o bisturi frio e, em situações específicas, o bisturi elétrico.

Em outras palavras, conização é o procedimento, enquanto CAF é uma das técnicas utilizadas para realizá-lo.

conização
A conização pode ser feita por bisturi frio.

Como é feita a conização? Como é a recuperação?

A conização é realizada por via vaginal, sem cortes no abdome. Dependendo da técnica utilizada, o procedimento pode ser feito em consultório, com anestesia local, ou em centro cirúrgico, sob anestesia geral ou raquianestesia com sedação. Na maioria dos casos, a paciente recebe alta no mesmo dia.

A recuperação costuma ser tranquila. É comum sentir apenas cólicas leves e apresentar uma secreção vaginal aquosa, amarronzada ou com pequenos sangramentos por cerca de 20 a 30 dias, enquanto o colo do útero cicatriza.

Entre o 7º e o 14º dia após a cirurgia, pode ocorrer um sangramento um pouco mais intenso devido à queda da crosta formada na área operada. Esse sangramento costuma ser autolimitado e faz parte do processo normal de cicatrização.

O principal cuidado no pós-operatório é evitar relações sexuais por 30 a 45 dias, permitindo a cicatrização completa do colo do útero. Em geral, a paciente pode retomar suas atividades habituais poucos dias após o procedimento, conforme orientação do médico.

Procure assistência médica se ocorrer:

  • Sangramento vaginal intenso;
  • Secreção vaginal com odor forte ou aspecto de pus;
  • Febre;
  • Dor abdominal intensa.

Sobre a Dra. Giulia Cerutti

Olá! Sou a Dra. Giulia Cerutti, médica ginecologista com especialização em Oncologia Ginecológica.

Atendo mulheres de todas as idades, realizando a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) e de outras doenças relacionadas ao HPV. Também realizo exames, procedimentos e cirurgias ginecológicas em consultório e em centro cirúrgico, conforme a necessidade de cada paciente.

Meu objetivo é oferecer um atendimento individualizado, baseado em evidências científicas e voltado às necessidades de cada mulher. Durante a consulta, você terá tempo para compreender o seu diagnóstico, esclarecer suas dúvidas e participar ativamente das decisões sobre o seu tratamento.

Os atendimentos são realizados em consultório particular no bairro da Consolação, em São Paulo (SP).

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Imagens meramente ilustrativas (Banco de imagens: Shutterstock)

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