O que é incontinência urinária?
A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, que pode variar desde pequenos escapes ocasionais até perdas mais frequentes e em maior quantidade.
É uma condição muito comum, principalmente entre as mulheres, e sua frequência aumenta com a idade. No entanto, incontinência urinária não é uma consequência normal do envelhecimento e também pode acontecer em mulheres jovens.
Existem diferentes tipos de incontinência urinária. Na incontinência urinária de esforço, a perda acontece ao tossir, espirrar, rir, correr ou fazer alguma atividade física. Já na incontinência urinária de urgência, a mulher sente uma vontade súbita e intensa de urinar e pode não conseguir chegar ao banheiro a tempo.
Apesar de não representar, na maioria das vezes, um problema grave de saúde, a perda de urina pode causar constrangimento, limitar atividades físicas e sociais e prejudicar a qualidade de vida.
A boa notícia é que a incontinência urinária tem tratamento, e a escolha da melhor opção depende principalmente do tipo de incontinência e das características de cada paciente.
Qual médico trata a incontinência urinária?
A incontinência urinária pode ser tratada pelo ginecologista ou urologista. Esses profissionais podem identificar o tipo de incontinência e indicar o tratamento mais adequado para cada paciente.
A Dra. Giulia Cerutti é médica ginecologista com experiência em cirurgias ginecológicas e vaginais, incluindo procedimentos utilizados no tratamento da incontinência urinária de esforço.
Durante a consulta, é realizada uma avaliação individualizada para entender como ocorre a perda de urina, identificar possíveis fatores associados e definir a melhor estratégia de tratamento. Dependendo do caso, as opções podem incluir mudanças de hábitos, fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos ou tratamento cirúrgico, como a cirurgia de sling.
A Dra. Giulia atende em consultório particular no bairro da Consolação, em São Paulo (SP).

Veja alguns depoimentos de pacientes da Dra. Giulia:



Como a bexiga controla a urina?
A bexiga é um órgão oco e elástico que funciona como um reservatório. A urina é produzida pelos rins e transportada até a bexiga por dois pequenos canais chamados ureteres.
A parede da bexiga contém um músculo chamado detrusor. Enquanto a bexiga está enchendo, esse músculo permanece relaxado. No momento de urinar, o detrusor se contrai e ajuda a expulsar a urina.
Para sair da bexiga, a urina passa pela uretra, que é o canal responsável por conduzi-la para fora do corpo.
Enquanto estamos armazenando urina, a uretra permanece fechada graças à ação conjunta do esfíncter uretral, dos músculos e tecidos do assoalho pélvico e de outras estruturas responsáveis pela sua sustentação.
No momento de urinar, ocorre justamente o contrário: a uretra relaxa enquanto a bexiga se contrai, permitindo a saída da urina.
Quando algum desses mecanismos deixa de funcionar adequadamente, pode ocorrer a perda involuntária de urina. Dependendo do mecanismo afetado, surgem diferentes tipos de incontinência urinária.

Quais são os tipos de incontinência urinária?
Existem diferentes tipos de incontinência urinária, que apresentam causas, sintomas e tratamentos diferentes. Identificar qual tipo de perda urinária a mulher apresenta é fundamental para escolher o tratamento adequado.
O que é incontinência urinária de esforço?
A incontinência urinária de esforço é a perda involuntária de urina que acontece quando a mulher tosse, espirra, ri, corre, pula ou realiza algum esforço físico.
Nessas situações, ocorre um aumento da pressão dentro do abdome. Quando as estruturas responsáveis pela sustentação e pelo fechamento da uretra não funcionam adequadamente, a pressão sobre a bexiga supera a capacidade da uretra de permanecer fechada e ocorre o escape de urina.

Diversos fatores podem favorecer o desenvolvimento da incontinência urinária de esforço, entre eles:
- Gestação, independentemente da via de parto;
- Partos vaginais;
- Sobrepeso e obesidade;
- Envelhecimento e menopausa;
- Predisposição genética;
- Doenças do tecido conjuntivo, como as síndromes de Marfan e Ehlers-Danlos;
- Constipação intestinal crônica;
- Tosse crônica;
- Atividades físicas de alto impacto.
Esses fatores podem provocar alterações nos músculos, ligamentos e tecidos responsáveis pela sustentação da uretra e do assoalho pélvico, favorecendo a perda de urina durante os esforços.

O que é incontinência urinária de urgência?
A incontinência urinária de urgência, também chamada de urgeincontinência, é a perda involuntária de urina que acontece após uma vontade súbita e difícil de controlar de urinar. Muitas vezes, a mulher não consegue chegar ao banheiro a tempo.
Esse tipo de perda urinária pode fazer parte da chamada síndrome da bexiga hiperativa, caracterizada principalmente pela urgência para urinar, geralmente acompanhada de aumento da frequência urinária e necessidade de acordar durante a noite para ir ao banheiro.
Em algumas pacientes, os sintomas estão relacionados a contrações involuntárias do músculo detrusor, que envolve a bexiga. Quando essas contrações são identificadas durante o estudo urodinâmico, recebem o nome de hiperatividade detrusora.

Algumas condições podem estar associadas ao aparecimento ou à piora dos sintomas urinários, como:
- Diabetes;
- Infecção urinária;
- Doenças neurológicas, como doença de Parkinson, esclerose múltipla, AVC e lesões da medula espinhal.
Entretanto, muitas mulheres apresentam bexiga hiperativa sem que seja identificada uma doença específica como causa.
Alguns hábitos e alimentos também podem piorar os sintomas em determinadas pacientes, principalmente:
- Cafeína, presente no café, chá-preto, chá-verde, chá-mate, bebidas energéticas e alguns refrigerantes;
- Bebidas alcoólicas;
- Alimentos ácidos ou cítricos;
- Alimentos muito condimentados ou apimentados;
- Tabagismo.
Identificar esses fatores é importante porque o tratamento da incontinência urinária de urgência é diferente daquele utilizado na incontinência urinária de esforço.
O que é incontinência urinária mista?
A incontinência urinária mista acontece quando a mesma mulher apresenta características da incontinência urinária de esforço e da incontinência urinária de urgência.
Assim, a mulher pode perder urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer atividades físicas, mas também apresentar uma vontade súbita e difícil de controlar de urinar, podendo perder urina antes de chegar ao banheiro.
Nesses casos, é importante identificar qual dos dois tipos de incontinência causa mais incômodo, pois isso ajuda a definir qual tratamento deve ser priorizado.
O tratamento pode envolver diferentes estratégias e deve ser individualizado de acordo com os sintomas apresentados por cada paciente.
O que é incontinência urinária por transbordamento?
A incontinência urinária por transbordamento acontece quando a bexiga não consegue se esvaziar adequadamente e permanece com uma grande quantidade de urina em seu interior.
Isso pode ocorrer por dois mecanismos principais: uma obstrução à saída da urina ou uma dificuldade do músculo da bexiga, chamado detrusor, de se contrair com força suficiente para promover o esvaziamento.
Como consequência, a urina vai se acumulando até que a bexiga fique excessivamente cheia e ocorram pequenos escapes involuntários, como se ela estivesse “transbordando”.
Nos homens, uma das causas mais comuns de obstrução é o aumento da próstata. Nas mulheres, a dificuldade para esvaziar a bexiga pode estar relacionada a condições como prolapso genital, alterações após algumas cirurgias pélvicas ou, mais raramente, massas e tumores da pelve.
Já a diminuição da capacidade de contração do detrusor pode estar associada a diabetes, doenças neurológicas, uso de determinados medicamentos e alterações relacionadas ao envelhecimento.
Além das perdas de urina, a pessoa pode apresentar jato urinário fraco, dificuldade para começar a urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade de urinar várias vezes em pequenas quantidades.
O que é incontinência urinária por fístula?
A incontinência urinária por fístula ocorre quando se forma uma comunicação anormal entre o sistema urinário e o trato genital feminino, permitindo que a urina saia involuntariamente pela vagina.
Um dos principais exemplos é a fístula vesicovaginal, na qual se forma um pequeno canal comunicando diretamente a bexiga com a vagina. Como consequência, a mulher geralmente apresenta uma perda contínua de urina pela vagina, inclusive quando não está fazendo esforço ou sentindo vontade de urinar.
Também existem outros tipos de fístula urinária, como a fístula ureterovaginal, que estabelece uma comunicação entre o ureter e a vagina.
As fístulas urinárias podem surgir após cirurgias pélvicas, radioterapia, traumatismos ou em decorrência de algumas doenças, incluindo tumores ginecológicos.
O tratamento depende da localização, do tamanho e da causa da fístula e, em muitos casos, pode ser necessária uma cirurgia para fechar essa comunicação e interromper a perda de urina.
Como é feito o diagnóstico da incontinência urinária?
O diagnóstico da incontinência urinária começa com uma avaliação detalhada dos sintomas e do histórico da paciente, associada ao exame físico e ginecológico. Em muitos casos, essas informações já permitem identificar o tipo de perda urinária.
Durante a consulta, é importante entender quando a urina escapa, por exemplo, ao tossir ou fazer esforço, após uma vontade súbita de urinar ou de forma contínua. Também são avaliados a frequência das micções, o número de episódios de perda, o uso de medicamentos e outras doenças que possam interferir no funcionamento da bexiga.
A avaliação pode incluir exames de urina para afastar uma infecção urinária, que pode provocar ou piorar sintomas como urgência, aumento da frequência urinária e perda de urina. A urocultura pode ser solicitada quando houver suspeita de infecção.
Em algumas pacientes, também pode ser necessário realizar o estudo urodinâmico, exame que avalia o funcionamento da bexiga e da uretra durante o enchimento e o esvaziamento da bexiga. Ele é especialmente útil quando existem dúvidas sobre o tipo de incontinência, sintomas mais complexos ou em determinadas situações antes do tratamento cirúrgico.
Outros exames podem ser solicitados de acordo com os sintomas, os achados do exame físico e as características de cada paciente.
Como é feito o tratamento da incontinência urinária?
O tratamento da incontinência urinária depende principalmente do tipo de perda de urina, da intensidade dos sintomas e do impacto que eles causam na qualidade de vida da mulher.
Por isso, não existe um único tratamento para todas as pacientes. Entre as principais opções estão:
- Fisioterapia do assoalho pélvico: ajuda a fortalecer e melhorar o funcionamento dos músculos responsáveis pela continência urinária. É especialmente importante no tratamento da incontinência urinária de esforço.
- Cirurgia de sling: indicada principalmente para mulheres com incontinência urinária de esforço que apresentam indicação de tratamento cirúrgico. Na cirurgia, uma pequena fita é posicionada abaixo da uretra para proporcionar suporte durante situações de aumento da pressão abdominal.
- Medicamentos: utilizados principalmente no tratamento da bexiga hiperativa e da incontinência urinária de urgência. Existem diferentes classes de medicamentos capazes de reduzir a urgência, a frequência urinária e os episódios de perda.
- Estrogênio vaginal: pode ser utilizado em algumas mulheres após a menopausa que apresentam síndrome geniturinária da menopausa associada aos sintomas urinários. O tratamento melhora as condições dos tecidos da vulva, vagina e trato urinário inferior.
- Aplicação de toxina botulínica (Botox) na bexiga: pode ser indicada em alguns casos de bexiga hiperativa, principalmente quando outros tratamentos não proporcionaram o resultado esperado. A toxina reduz temporariamente a atividade excessiva do músculo detrusor.
- Mudanças de hábitos: reduzir o consumo excessivo de cafeína, adequar a ingestão de líquidos, tratar a constipação, controlar o peso e realizar treinamento da bexiga podem ajudar, dependendo do tipo de incontinência.
Em casos selecionados, existem ainda outras opções de tratamento. O mais importante é identificar corretamente o tipo de incontinência urinária, pois um tratamento indicado para a perda aos esforços pode não funcionar para a perda causada pela urgência.
Laser íntimo trata incontinência urinária?
O laser íntimo vem sendo estudado como uma possível opção para o tratamento da incontinência urinária, principalmente nos casos leves de incontinência urinária de esforço. No entanto, as evidências científicas disponíveis ainda são limitadas.
O laser provoca um aquecimento controlado dos tecidos vaginais, estimulando a remodelação do colágeno. A partir desse mecanismo, surgiu a hipótese de que o procedimento poderia melhorar as características dos tecidos ao redor da uretra e contribuir para a redução das perdas urinárias.
Entretanto, estudos realizados com laser de CO₂ ainda não demonstraram de forma consistente que o procedimento seja superior ao tratamento placebo para a incontinência urinária de esforço.
Por esse motivo, atualmente o laser íntimo não é considerado um tratamento de primeira linha para incontinência urinária e não deve substituir tratamentos já estabelecidos, como a fisioterapia do assoalho pélvico e, quando indicada, a cirurgia de sling.
A indicação deve ser individualizada, levando em consideração o tipo de incontinência urinária, a intensidade dos sintomas e as demais opções de tratamento disponíveis.

Como é feita a cirurgia de sling para incontinência urinária?
A cirurgia de sling é um dos principais tratamentos cirúrgicos para a incontinência urinária de esforço. A palavra sling significa “faixa” e faz referência à pequena fita utilizada durante o procedimento.
Na cirurgia, essa fita é posicionada abaixo da uretra, funcionando como um suporte. Quando a mulher tosse, espirra, ri ou realiza algum esforço físico, o sling ajuda a impedir o escape involuntário de urina.
Existem diferentes técnicas para a colocação do sling. Uma delas é o sling transobturatório (TOT), no qual são realizados um pequeno corte na vagina e pequenas incisões na região das virilhas. Por meio dessas incisões, instrumentos específicos permitem a passagem e o posicionamento da fita abaixo da uretra.
O sling é posicionado cuidadosamente sem comprimir excessivamente a uretra, proporcionando suporte durante os esforços e, ao mesmo tempo, permitindo que a mulher continue esvaziando a bexiga normalmente.
A maior parte do procedimento é realizada por via vaginal, sem cortes no abdome. Os pontos são feitos com fios absorvíveis e, portanto, não precisam ser retirados durante o pós-operatório.
A cirurgia é realizada em centro cirúrgico. A anestesia pode ser raquianestesia associada à sedação ou anestesia geral, dependendo da avaliação médica e anestésica. Na maioria dos casos, a paciente pode receber alta no mesmo dia ou no dia seguinte.
Como é a recuperação após a cirurgia de sling?
O pós-operatório da cirurgia de sling costuma apresentar pouco desconforto, e as atividades leves do dia a dia podem ser retomadas progressivamente.
Durante o período de cicatrização, entretanto, é necessário evitar relações sexuais por aproximadamente 30 a 45 dias e atividades físicas intensas e levantamento de peso por cerca de 45 a 60 dias, ou pelo período determinado pelo ginecologista.
Também é importante observar se a paciente consegue urinar e esvaziar adequadamente a bexiga, principalmente nos primeiros dias após a cirurgia.
O que fazer para melhorar a incontinência urinária?
Algumas mudanças de hábitos podem ajudar a reduzir os episódios de perda de urina e fazem parte do tratamento da incontinência urinária. No entanto, as recomendações variam de acordo com o tipo de incontinência e os sintomas de cada mulher.
Entre as principais medidas estão:
- Fortalecer o assoalho pélvico: os exercícios para a musculatura do assoalho pélvico, popularmente conhecidos como exercícios de Kegel, são especialmente importantes na incontinência urinária de esforço. O ideal é aprender a realizá-los corretamente com a orientação de um fisioterapeuta especializado em fisioterapia pélvica.
- Parar de fumar: além de estar associado a sintomas urinários, o tabagismo pode provocar tosse crônica, aumentando repetidamente a pressão sobre o assoalho pélvico.
- Reduzir a cafeína: café, alguns chás, bebidas energéticas e refrigerantes podem aumentar a urgência e a frequência urinária, principalmente em mulheres com bexiga hiperativa.
- Observar alimentos e bebidas que pioram os sintomas: bebidas alcoólicas, alimentos cítricos, apimentados ou muito condimentados podem piorar os sintomas urinários em algumas mulheres. Não é necessário retirar todos esses alimentos da dieta caso eles não provoquem sintomas.

- Tratar a constipação intestinal: fazer força repetidamente para evacuar aumenta a pressão exercida sobre o assoalho pélvico e pode contribuir para a piora da incontinência.
- Perder peso, quando houver sobrepeso ou obesidade: a redução do peso diminui a pressão exercida sobre o assoalho pélvico e pode ajudar a reduzir os episódios de perda urinária.
- Manter uma hidratação adequada: beber pouca água não é uma boa estratégia para evitar as perdas. Uma urina muito concentrada pode aumentar a irritação da bexiga e piorar sintomas de urgência em algumas pacientes.
- Treinar a bexiga quando indicado: mulheres com bexiga hiperativa podem se beneficiar do treinamento vesical, que consiste em estabelecer intervalos programados para urinar e aumentá-los progressivamente.
Essas medidas podem melhorar bastante os sintomas, mas não substituem uma avaliação médica quando a perda de urina é frequente, causa incômodo ou interfere na qualidade de vida.

Quando procurar um ginecologista por perda de urina?
Se você apresenta perda involuntária de urina, principalmente quando os episódios são frequentes ou começam a interferir na sua qualidade de vida, é importante procurar uma avaliação médica.
Olá! Sou a Dra. Giulia Cerutti, médica ginecologista com experiência no diagnóstico e no tratamento da incontinência urinária feminina.
Durante a consulta, avalio como acontecem as perdas de urina para identificar o tipo de incontinência e definir o tratamento mais adequado. Dependendo do caso, o tratamento pode envolver mudanças de hábitos, fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos ou procedimentos cirúrgicos, como a cirurgia de sling para incontinência urinária de esforço.
Acredito em um atendimento individualizado e baseado em evidências científicas. Por isso, explico as diferentes possibilidades de tratamento, seus benefícios e limitações, para que possamos decidir juntas qual é a melhor estratégia para o seu caso.
Os atendimentos são realizados em consultório particular no bairro da Consolação, em São Paulo (SP).

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Imagens meramente ilustrativas (Banco de imagens: Shutterstock)



